quarta-feira, 18 de março de 2009

SOBRE A PREPARAÇÃO CORPORAL


Sempre questionei a necessidade do ator fazer exercícios físicos. O aquecimento, a preparação corporal, até mesmo os jogos, por que motivo eu devia fazer uma série repetitiva, ou fazer com que alunos meus, com cara de sono, passassem por isso?
Eu sabia que era bom, me sentia alongada e me trazia um certo bem estar, já que pratico regularmente atividades físicas desde os 11 anos de idade, quando comecei a praticar Ginástica Ritmica Desportiva. Mas tinham mais coisas que por mais que eu perguntasse a professores e atores mais experientes, eles sempre vinham com uma frase feita ou uma resposta pronta que fazia com que eu me sentisse uma preguiçosa.
O tempo, a prática e meus experimentos trouxeram a resposta: Os exercícios servem para ativar determinados pontos do corpo que estão "desacostumados" ou até mesmo atrofiados e que necessitam de oxigenação, de drenagem da área em questão e se expandir, levando o estado corporal "adormecido" para um "despertar" ao explorar outras possibilidades não experimentadas pelo corpo no estado cotidiano.
Vejo o corpo como um todo, um organismo vivo que reflete sobre os mais variados estímulos: A parte física, as células, a medula, os nervos, a mente. Se o corpo é disponível, o ator está disponível para o trabalho criativo, que por sua vez o levará a experiências fora de sua rotina, do seu padrão de comportamento.
Os exercícios e jogos acabam assim, trabalhando de forma indireta elementos e processos criativos que por algum motivo não estão acessíveis ao ator e ao diretor e é através deles que trazemos ao alcance do grupo o material que existe, mas não está definido ou presente até então.
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A fim de exprimir uma vida delicadíssima e em grande parte subconsciente, é preciso ter controle sobre uma aparelhagem física e vocal extraordinariamente sensível, otimamente preparada". (Stanislavski - A Preparação do Ator)
Mas isso, de nada adianta se o ator está voltado apenas para o virtuosismo corporal. O trabalho do ator começa de dentro para fora. Começa pela vontade de estar em risco, estar exposto ao vazio. O trabalho da arte é de verossimilhança, isso não quer dizer realismo e nem quer dizer codificação. Isso quer dizer que as ações não são vulgares e tudo o que é mostrado para o público é repleto de significados. A ação deve conduzir o espetáculo, o espectador e o ator, que deve estar preparado para se deixar levar e ao mesmo tempo estar consciente de sua criação.

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