domingo, 11 de julho de 2010

Do que eu gosto?

Tentando organizar minhas idéias, utilizo este espaço como a penseira do mago Dumbledore, tiro idéias de que não preciso no momento, mas que poderei me reportar a elas mais adiante.
Hum, sim, o teatro. O teatro que faço, o teatro que gosto, o teatro que penso, eles se dilatam e contraem, é um só, mas ao mesmo tempo ainda não o é exatamente como deveria e se misturam em pontos que de atrito de dogmas, fazeres e técnicas, coisas que nem sei ainda, coisas que talvez nunca virei a saber.
Gosto de histórias, sim, meu teatro tem que contar histórias, não preciso de um entendimento de cada parte, mas necessito me identificar e ser levada pelo todo. A identificação não pressupõe uma mímeses de minha identidade ou caráter, mas um significado maior onde identifico o pensamento, o que o outro quer me dizer, e não tem que ser racional, desde que exista uma percepção atingida pelo coice dionisíaco do espetáculo.
Me agrada também a simplicidade, não quero grandes efeitos, não compactuo com medidas desesperadas de encenações que pretendem me ver chocada. Sou uma das tantas pessoas que já passaram por poucas e boas na vida e que o homem de rua, dormindo sob a marquise na pedra dura do inverno me provoca mais choque do que um superficial ato de sexo ou violência produzido entre coreografias de buoyancy e radiance.
Prefiro sentir o público e ser sentida quando sou espectadora. Não é uma questão de contato físico, mas de um respeito tácito e sutil que envolve a respiração do dia, o tempo de cada um e do todo daquele grupo que compartilha da mesma experiência, cada um no seu papel.
Então, menos tiroteios, explosões de carros e excessivos diálogos. Mais Fellini, Almodóvar e Woody Allen.
É uma questão de paladar ver violentos bandidos vestidos de palhaços beijando as tetas de uma mulher gorda, explosivas mulheres enterrando cadáveres de seus homens frágeis numa culpa católica e latina e por fim, palavras que calam, confundem e se interpõem sobre os silêncios que jamais ousamos acessar.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

São Genésio, protege a tua legião!

Viva os movimentos!
Falta-nos a alegria e o caráter revolucionário e transgressor dos grandes movimentos, romantismo e utopias que não nos atingem mais, nós massacrados e esmagados pelo mundo do "tudo igual" e "do tanto faz".
Falta-nos ocupar as ruas com prazer e liberdade, longe da insegurança e do corre-corre das gentes que não olham para o mundo e te atropelam.
Falta-nos amarmos mais uns aos outros e não competirmos desenfreadamente cada espaço, pois o universo é infinito e em expansão e por isso há lugar para todos.
Que bom que não estamos sozinhos, que bom que andamos contra a corrente e lá pelas tantas vemos que há outros peixes que também nadam diferente do resto do cardume. Que bom um fim de semana de bom teatro, de casa cheia, de boa bilheteria para o nosso ganha pão, de pessoas na rua agradecendo aos artistas e estes celebrando o agradecimento na sua reverência ao final do espetáculo.
Os deuses do teatro estavam em peso presentes em Porto Alegre, talvez trazidos ou provavelmente movimentados pelo 2° Festival de Teatro de Rua. Salve pessoal da organização!
Agradeço a Dionísio por alimentar meu espírito e a São Genésio por conceder à todos coração!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Meu caos organizado

Nova postagem, verão, tempo de rascunhos para o trabalho final realizado durante o ano. Rascunho sempre, rescunhos imperfeitos, cheios de letras faltando, mal digitadas, não corrigidas, sem concordância.
Escrevi nada este ano que passou. Muito trabalho, graças a Deus! Pouco tempo pra mim que preciso me reorganizar. Estou esquisita, faço 38 anos nesta semana e não sei se choro ou comemoro.
Há muito a celebrar, aprendizados, amores, uma filha, um casamento de crescimento, de parceria , de amor, sexo e união, amigos que vejo e que não vejo mais, mas todos guardados como Milton Nascimento, "do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e distância digam não".
Mas sei lá, bate uma coisa estranha. Será que é velhice? Bate tudo o que ainda não fiz, bate as conquistas que ainda não realizei, bate um sonho inacabado, um quarto cheio de coisas onde não sei onde por, como arrumar, como organizar idéias, planos, sonhos tão diferentes, tão outros eus. Tudo o que está neste quarto é o que eu não consegui encaixar na minha vida e joguei lá dentro, pensando em achar um lugar melhor, depois, só que não encontrei até agora.
Como encontrar espaço para a realidade e o idealismo? Como viver só de teatro, por opção, não ter grana da família e ter uma casa própria, um carro que sequer consegui ter até agora? Como ser mãe de novo se me desdobro em diferentes unidades e acho que nem consigo ser mãe de mim mesma?
Só sei que amo tudo isso. Amo meu marido, minha filha, meu pai e minha mãe, meus irmãos e sobrinhos, meus amigos queridos. Amo minhas brigas, meus tormentos, minha fúria, meu medo. Amo todas as partes de minha casa. Algumas pessoas na minha vida só conhecem o portão, outras já entraram na sala de visitas, os mais íntimos já pegam coisas na cozinha, outros mais ainda já me levam ao banheiro para me lavar, para eu vomitar, para minha purificação. Há os que frequentam o escritório e há aquele especial com quem divido a cama. Amo tudo isso e todos esses.
Amo também o quarto fechado, que acredito que só eu conheça. Ninguém entra lá, é o lugar que choro, o lugar que grito, que ás vezes tem há ver com outros, mas a coisa é principalmente comigo. O quarto onde está tudo aquilo onde eu não soube encaixar, as músicas bregas, os ridículos, os brinquedos de infância, as roupas queridas que não se usa mais, até porque nem servem, tudo. Os antigos diários e agendas, a vontade de continuar escrevendo, objetos emprestados que não devolvi e nem sei de quem são mais, e tem muito mais coisa, tem um universo, um abismo dentro do quarto, tem desesperos, fantasias, receios, neuroses.
O quarto sempre estará lá. Intocado para aqueles que me conhecem, sua desorganização é um acúmulo destes 38 anos. Sempre haverá aquilo que não se encaixa e haverão sonhos, e promessas, e desventuras e projetos inacabados. Amo também essa bagunça, pois já me organizo demais nas outras peças da casa. É também meu espaço lúdico de bagunça.
Só preciso entrar mais vezes nele, para deixar arejar e para que entre essa brisa quente de verão, de rascunho de um novo ano.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Fazer arte em Porto Alegre

Era uma vez, a mais ou menos dez mil milhas dentro de mim, um desejo que movia-se mais rapidamente do que meu pensamento, arrebatador, pulsante, que arrastava meu sentido de existência e impregnava cada gota do meu suor.
Com o tempo, descobri que outros se moviam com a mesma força e velocidade, tinham desejos irmãos, pertenciam ao mesmo clã, falavam a mesma fala e eram carentes da mesma fome.
Do movimento dos desejos, de vários corpos, de diferentes caras encontrei com os teatreiros, bailarinos, bonequeiros, artistas. Para alguns somos loucos, para outros, excêntricos, optantes pela mesma escolha, uma escolha nada simples, uma vida a ser vivida que não se encaixa no sistema, na sobrevivência de um emprego fixo, de uma carteira assinada. Uma vida marginal, à margem da sociedade, dos meios de comunicação de massa, dos top, dos objetivos de estratégia para somente uma ascenção econômica.
Nadamos contra a corrente "só pra exercitar". Nadamos contra a intolerância, contra a falsa e gentil simpatia. Nadamos contra métodos de persuasão a nossas ideologias ou a nossos atos desmedidos. Nadamos contra o teatro "bolo sol", mistura um monte de bobagens em três dias de ensaio e tá pronto.
Nadamos ainda porque há esperança e o público merece mais do que a ausência cada vez maior de políticas públicas culturais. Nadamos e somos capazes até de voar como forma de resistência, como forma de permanência.
Ousamos, provocamos, criamos enquanto as autoridades não reconhecem a importância de nossos atos como uma interferência positiva no panorama histórico e cultural da cidade de Porto Alegre, como construção de cidadania e referência social. Apesar disto, ainda produzimos nossa arte, os que não tem seu prórpio espaço, o buscam, os que têm, o mantêm com todas as dificuldades. Ainda assim, levamos poesia, alegria, instrospecção, os mais variados sentidos provocados nos teatros, ruas, oficinas.
Muitos de nós são obrigados a ter mais de uma atividade, se adaptando, se adequando aos horários de ensaio, de reuniões, fazendo o que for preciso para permanecer compartilhando.
Sou atriz de teatro de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, um país do Sul da América Latina. Descendente de imigrantes italianos, pobres e católicos. Nasci durante o regime militar, numa família de classe média baixa, a última de seis filhos. Minha educação foi firme, em alguns momentos castradora, em outros sem nenhum limite. Escolhi o teatro. Ele não me escolheu. Divido como tantos outros o desejo de uma sociedade mais justa, de um mundo melhor, de uma vida digna. Quero viver da minha arte, do meu ofício, criar novas possibilidades, resistir, compartilhar os desejos e sonhos que todos os profissionais desta área mantém, por mim, por nós e pelos que virão depois de nós.
A utopia não é um lugar que não existe. É um lugar onde ainda não estivemos. Sempre.

quarta-feira, 18 de março de 2009

SOBRE A PREPARAÇÃO CORPORAL


Sempre questionei a necessidade do ator fazer exercícios físicos. O aquecimento, a preparação corporal, até mesmo os jogos, por que motivo eu devia fazer uma série repetitiva, ou fazer com que alunos meus, com cara de sono, passassem por isso?
Eu sabia que era bom, me sentia alongada e me trazia um certo bem estar, já que pratico regularmente atividades físicas desde os 11 anos de idade, quando comecei a praticar Ginástica Ritmica Desportiva. Mas tinham mais coisas que por mais que eu perguntasse a professores e atores mais experientes, eles sempre vinham com uma frase feita ou uma resposta pronta que fazia com que eu me sentisse uma preguiçosa.
O tempo, a prática e meus experimentos trouxeram a resposta: Os exercícios servem para ativar determinados pontos do corpo que estão "desacostumados" ou até mesmo atrofiados e que necessitam de oxigenação, de drenagem da área em questão e se expandir, levando o estado corporal "adormecido" para um "despertar" ao explorar outras possibilidades não experimentadas pelo corpo no estado cotidiano.
Vejo o corpo como um todo, um organismo vivo que reflete sobre os mais variados estímulos: A parte física, as células, a medula, os nervos, a mente. Se o corpo é disponível, o ator está disponível para o trabalho criativo, que por sua vez o levará a experiências fora de sua rotina, do seu padrão de comportamento.
Os exercícios e jogos acabam assim, trabalhando de forma indireta elementos e processos criativos que por algum motivo não estão acessíveis ao ator e ao diretor e é através deles que trazemos ao alcance do grupo o material que existe, mas não está definido ou presente até então.
"
A fim de exprimir uma vida delicadíssima e em grande parte subconsciente, é preciso ter controle sobre uma aparelhagem física e vocal extraordinariamente sensível, otimamente preparada". (Stanislavski - A Preparação do Ator)
Mas isso, de nada adianta se o ator está voltado apenas para o virtuosismo corporal. O trabalho do ator começa de dentro para fora. Começa pela vontade de estar em risco, estar exposto ao vazio. O trabalho da arte é de verossimilhança, isso não quer dizer realismo e nem quer dizer codificação. Isso quer dizer que as ações não são vulgares e tudo o que é mostrado para o público é repleto de significados. A ação deve conduzir o espetáculo, o espectador e o ator, que deve estar preparado para se deixar levar e ao mesmo tempo estar consciente de sua criação.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

MAS QUE DIABO É ESSE TEATRO PÓS DRAMÁTICO?

Estou bem curiosa para ler o livro do alemão Hans Thies Lehmann e saber mais sobre este conceito do Teatro Pós Dramático. A reflexão é válida no momento em que há a constatação de uma forma de arte que se transforma e tem como característica a despreocupação com a transmissão de conteúdos e coloca seu objetivo no evento teatral, valorizando a estética da atuação na experiência do efêmero e na provocação do espectador.

Interessante, e como disse anteriormente, quero saber mais sobre isso, porque só esta breve explanação já me fez pensar em uma porção de coisas, entre elas “O que eu gosto de ver no teatro?” e “O que eu faço no teatro?”

Eu sou uma das poucas pessoas que conheço que fazem teatro e gostam de ir ao teatro. Gosto de ouvir histórias, de assistir como público comum, sem analisar a técnica ou os elementos cênicos escolhidos pelo diretor, gosto simplesmente de me deixar levar pela experiência transitória do ato teatral.

Acho muito importante as investigações de vanguarda, pois é daí que a arte se transforma, e nesse aspecto, Porto Alegre tem um teatro inovador, com profissionais atentos e competentes para explorar caminhos. O que é vanguarda hoje, ou é esquecido no tempo ou, se tem valor, se torna o ponto de discussão em comum amanhã. As novas experimentações são válidas, desde que não se tratem de modismos.

Há uns dez ou quinze anos atrás, o Teatro Antropológico era a “bola da vez”. Todo mundo pulava, fazia “energéticos”, sem mesmo saber exatamente o que era isso. Todos faziam oficinas com o LUME, com o UTA, “sabiam” fazer samurai e dança dos ventos.

A experiência se esvaziou. Poucos realmente tinham a real compreensão do que estavam fazendo e conseguiam fazer uma ponte com o teatro que acreditavam. Além das Ilhas Flutuantes é uma obra fantástica, uma das minhas preferidas referências de teatro, mas o quanto o conceito não foi deturpado e ainda mais, o quanto os “adeptos” de uma suposta antropologia conseguiram se apropriar das palavras de Eugênio Barba e trazer para o seu trabalho?

Os problemas de má interpretação vêm desde Stanislavski, quando só traduziram para o inglês A Preparação do Ator, levando anos para completar as informações com os outros dois livros. A questão é que o teatro, a arte não merecem classificação. Estão acima de conceitos, são atitudes, são obras de apreciação e reflexão, às vezes diversão, outras, desconforto. São formas de despertar os sentidos entorpecidos pelo cotidiano.

Quero ir ao teatro e ver teatro, não quero ver um conceito, uma técnica, uma explicação. Me conte uma história, não grite e se jogue no chão porque a narrativa tem que ser fragmentada, pois assim diz o manual de teatro pós dramático. Isso é chato. Isso não me toca. Isso não faz nenhuma conexão com a minha vida e duvido que faça com a vida de qualquer ser humano sedento por assistir um bom espetáculo de teatro.

Não é a forma que vai fazer o teatro ser interessante, é a vida implícita naquilo que está sendo mostrado. É um ponto de contato, uma referência com o mundo, interna ou externa, concreta ou absurda, patética ou risível, algo que faz uma parte pertencer ao todo.

Acredito num teatro em que o trabalho comece de dentro, a partir da vontade, da sensibilidade do artista em se apropriar de uma idéia, ou de um texto, de um seja o que for que mova uma verdadeira ação interna para desembocar externamente.

Minha maior influência no teatro que faço, no teatro que gosto, é a criança que fui, são minhas brincadeiras de faz de conta, voltando a Stanis, o “se” mágico. Outro dia me perguntaram com um certo horror: “Tu trabalhas com realismo?” Não, respondi, eu trabalho com o verossímil.

Se as pessoas tivessem as mentes tão abertas como elas dizem que têm, veriam que o trabalho de Stanis é fundamental até para o teatro pós dramático. Tudo o que se fez de teatro no século XX está ligado a Stanis, ou seguindo “o sistema” ou contra ele. Ele foi “o cara”, foi o primeiro a defender sua idéia, criou um método para o ator relacionado ao período que viveu, uma época que se encheu do melodrama, dos monstros sagrados, da atuação exagerada. Seu tempo é o da invenção da iluminação elétrica que finalmente fechava quarta parede, onde se podia experimentar o drama social como uma vida fechada, pré cinema, pré TV.

Quando releio hoje algumas de suas propostas, acho pueril, ridículas, mas também encontro verdadeiras pérolas que reneguei por modismo e agora percebo de forma diferente. O que me fica de Stanis é o seu encantamento pela arte e a possibilidade do ator de brincar com a realidade.

Da mesma forma, Brecht me mostrou os contrastes, assuntos sérios ditos sem sublinhar a seriedade, sem sofrimento, calmo, leve, engraçado ou qualquer outra forma contrastante que causa muito mais efeito e muito mais engasgo no espectador. Distanciar não é ser frio é dar espaço para redimensionar o fato e ressignificar a coisa.

Depois também tem o Grotowski que me apresentou o corpo, a disciplina, a concentração de um ator desnudo próximo do espectador, sem tábua de salvação. A importância de determinada ritualização num trabalho de aprofundamento, do eterno retorno do ator, do Eros ao Tânatus.

Encontro um ombro amigo em Peter Brook, volto a ser a criança, a atriz amadora. Volto ao jogo do qual nunca devia ter me distanciado. Logo adiante encontro uma mestra que vi com meus próprios olhos: Lucinha. Tantas coisas, tantas palavras, tantas descobertas e transgressões que ainda hoje me atravessam e me perturbam e sei que fazem parte de mim, da minha arte.

Faço também cola de colegas, pessoas da ativa, da batalha diária de fazer teatro em Porto Alegre. O teatro que faço tem a ver com tudo o que vi, com o que me apaixonei e com o que detestei.

Pode parecer que sou uma adepta do “teatro burguês”, o teatrão, palco italiano, texto clássico. Pensem como quiserem. Passei da fase da negação deste ou daquele tipo de teatro. O bom teatro é questão de competência e não do estilo. O que me preocupa em questão de linguagem é o quanto um público em potencial pode estar se afastando de assistir aos espetáculos em virtude de uma não compreensão destes.

Também passei da fase de fazer um teatro para poucos. O que me alimenta no sentido espiritual e também físico é a casa cheia, o retorno da platéia. Que teatro é este feito para os “escolhidos”, os “iniciados”, os que “entendem”? Afastar o espectador com um teatro elitista, no qual o espectador tenha que conhecer esta ou aquela teoria torna o ato teatral num exercício intelectual, vazio e irrelevante.

Quanto a mim, não sigo nenhuma linha. Sigo todas elas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

ORAÇÃO


Obrigado por essa imensidão que vejo
Que me invade

E da qual sou dona

Obrigado por sentir essa força do universo em meu peito

Aqui, dentro de mim, que só sou dona em parte

Obrigado por tudo isso que é essência

E que de qualquer outro ponto do mundo
Não sou nada