Tentando organizar minhas idéias, utilizo este espaço como a penseira do mago Dumbledore, tiro idéias de que não preciso no momento, mas que poderei me reportar a elas mais adiante.
Hum, sim, o teatro. O teatro que faço, o teatro que gosto, o teatro que penso, eles se dilatam e contraem, é um só, mas ao mesmo tempo ainda não o é exatamente como deveria e se misturam em pontos que de atrito de dogmas, fazeres e técnicas, coisas que nem sei ainda, coisas que talvez nunca virei a saber.Gosto de histórias, sim, meu teatro tem que contar histórias, não preciso de um entendimento de cada parte, mas necessito me identificar e ser levada pelo todo. A identificação não pressupõe uma mímeses de minha identidade ou caráter, mas um significado maior onde identifico o pensamento, o que o outro quer me dizer, e não tem que ser racional, desde que exista uma percepção atingida pelo coice dionisíaco do espetáculo.Me agrada também a simplicidade, não quero grandes efeitos, não compactuo com medidas desesperadas de encenações que pretendem me ver chocada. Sou uma das tantas pessoas que já passaram por poucas e boas na vida e que o homem de rua, dormindo sob a marquise na pedra dura do inverno me provoca mais choque do que um superficial ato de sexo ou violência produzido entre coreografias de buoyancy e radiance.Prefiro sentir o público e ser sentida quando sou espectadora. Não é uma questão de contato físico, mas de um respeito tácito e sutil que envolve a respiração do dia, o tempo de cada um e do todo daquele grupo que compartilha da mesma experiência, cada um no seu papel.Então, menos tiroteios, explosões de carros e excessivos diálogos. Mais Fellini, Almodóvar e Woody Allen.É uma questão de paladar ver violentos bandidos vestidos de palhaços beijando as tetas de uma mulher gorda, explosivas mulheres enterrando cadáveres de seus homens frágeis numa culpa católica e latina e por fim, palavras que calam, confundem e se interpõem sobre os silêncios que jamais ousamos acessar.
Jogos, espelhos, reflexos e reflexões. Pensamentos jogados ao vento na folha de papel, no layout do word. Movimentos do que vejo, do que comentam, do que me toca. Minha luz e minha sombra: Aprendo com a minha sombra, de vez em quando lhe dou um pedaço de bife pra que não me atormente. Tenho respeito por ela. Percebo sua presença, aquilo que não sou, mas ao mesmo tempo faz parte de mim, está em mim, como um espelho distorcido, um reflexo inverso.
domingo, 11 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
São Genésio, protege a tua legião!
Viva os movimentos!
Falta-nos a alegria e o caráter revolucionário e transgressor dos grandes movimentos, romantismo e utopias que não nos atingem mais, nós massacrados e esmagados pelo mundo do "tudo igual" e "do tanto faz".
Falta-nos ocupar as ruas com prazer e liberdade, longe da insegurança e do corre-corre das gentes que não olham para o mundo e te atropelam.
Falta-nos amarmos mais uns aos outros e não competirmos desenfreadamente cada espaço, pois o universo é infinito e em expansão e por isso há lugar para todos.
Que bom que não estamos sozinhos, que bom que andamos contra a corrente e lá pelas tantas vemos que há outros peixes que também nadam diferente do resto do cardume. Que bom um fim de semana de bom teatro, de casa cheia, de boa bilheteria para o nosso ganha pão, de pessoas na rua agradecendo aos artistas e estes celebrando o agradecimento na sua reverência ao final do espetáculo.
Os deuses do teatro estavam em peso presentes em Porto Alegre, talvez trazidos ou provavelmente movimentados pelo 2° Festival de Teatro de Rua. Salve pessoal da organização!
Agradeço a Dionísio por alimentar meu espírito e a São Genésio por conceder à todos coração!
Falta-nos a alegria e o caráter revolucionário e transgressor dos grandes movimentos, romantismo e utopias que não nos atingem mais, nós massacrados e esmagados pelo mundo do "tudo igual" e "do tanto faz".
Falta-nos ocupar as ruas com prazer e liberdade, longe da insegurança e do corre-corre das gentes que não olham para o mundo e te atropelam.
Falta-nos amarmos mais uns aos outros e não competirmos desenfreadamente cada espaço, pois o universo é infinito e em expansão e por isso há lugar para todos.
Que bom que não estamos sozinhos, que bom que andamos contra a corrente e lá pelas tantas vemos que há outros peixes que também nadam diferente do resto do cardume. Que bom um fim de semana de bom teatro, de casa cheia, de boa bilheteria para o nosso ganha pão, de pessoas na rua agradecendo aos artistas e estes celebrando o agradecimento na sua reverência ao final do espetáculo.
Os deuses do teatro estavam em peso presentes em Porto Alegre, talvez trazidos ou provavelmente movimentados pelo 2° Festival de Teatro de Rua. Salve pessoal da organização!
Agradeço a Dionísio por alimentar meu espírito e a São Genésio por conceder à todos coração!
domingo, 10 de janeiro de 2010
Meu caos organizado
Nova postagem, verão, tempo de rascunhos para o trabalho final realizado durante o ano. Rascunho sempre, rescunhos imperfeitos, cheios de letras faltando, mal digitadas, não corrigidas, sem concordância.
Escrevi nada este ano que passou. Muito trabalho, graças a Deus! Pouco tempo pra mim que preciso me reorganizar. Estou esquisita, faço 38 anos nesta semana e não sei se choro ou comemoro.
Há muito a celebrar, aprendizados, amores, uma filha, um casamento de crescimento, de parceria , de amor, sexo e união, amigos que vejo e que não vejo mais, mas todos guardados como Milton Nascimento, "do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e distância digam não".
Mas sei lá, bate uma coisa estranha. Será que é velhice? Bate tudo o que ainda não fiz, bate as conquistas que ainda não realizei, bate um sonho inacabado, um quarto cheio de coisas onde não sei onde por, como arrumar, como organizar idéias, planos, sonhos tão diferentes, tão outros eus. Tudo o que está neste quarto é o que eu não consegui encaixar na minha vida e joguei lá dentro, pensando em achar um lugar melhor, depois, só que não encontrei até agora.
Como encontrar espaço para a realidade e o idealismo? Como viver só de teatro, por opção, não ter grana da família e ter uma casa própria, um carro que sequer consegui ter até agora? Como ser mãe de novo se me desdobro em diferentes unidades e acho que nem consigo ser mãe de mim mesma?
Só sei que amo tudo isso. Amo meu marido, minha filha, meu pai e minha mãe, meus irmãos e sobrinhos, meus amigos queridos. Amo minhas brigas, meus tormentos, minha fúria, meu medo. Amo todas as partes de minha casa. Algumas pessoas na minha vida só conhecem o portão, outras já entraram na sala de visitas, os mais íntimos já pegam coisas na cozinha, outros mais ainda já me levam ao banheiro para me lavar, para eu vomitar, para minha purificação. Há os que frequentam o escritório e há aquele especial com quem divido a cama. Amo tudo isso e todos esses.
Amo também o quarto fechado, que acredito que só eu conheça. Ninguém entra lá, é o lugar que choro, o lugar que grito, que ás vezes tem há ver com outros, mas a coisa é principalmente comigo. O quarto onde está tudo aquilo onde eu não soube encaixar, as músicas bregas, os ridículos, os brinquedos de infância, as roupas queridas que não se usa mais, até porque nem servem, tudo. Os antigos diários e agendas, a vontade de continuar escrevendo, objetos emprestados que não devolvi e nem sei de quem são mais, e tem muito mais coisa, tem um universo, um abismo dentro do quarto, tem desesperos, fantasias, receios, neuroses.
O quarto sempre estará lá. Intocado para aqueles que me conhecem, sua desorganização é um acúmulo destes 38 anos. Sempre haverá aquilo que não se encaixa e haverão sonhos, e promessas, e desventuras e projetos inacabados. Amo também essa bagunça, pois já me organizo demais nas outras peças da casa. É também meu espaço lúdico de bagunça.
Só preciso entrar mais vezes nele, para deixar arejar e para que entre essa brisa quente de verão, de rascunho de um novo ano.
Escrevi nada este ano que passou. Muito trabalho, graças a Deus! Pouco tempo pra mim que preciso me reorganizar. Estou esquisita, faço 38 anos nesta semana e não sei se choro ou comemoro.
Há muito a celebrar, aprendizados, amores, uma filha, um casamento de crescimento, de parceria , de amor, sexo e união, amigos que vejo e que não vejo mais, mas todos guardados como Milton Nascimento, "do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e distância digam não".
Mas sei lá, bate uma coisa estranha. Será que é velhice? Bate tudo o que ainda não fiz, bate as conquistas que ainda não realizei, bate um sonho inacabado, um quarto cheio de coisas onde não sei onde por, como arrumar, como organizar idéias, planos, sonhos tão diferentes, tão outros eus. Tudo o que está neste quarto é o que eu não consegui encaixar na minha vida e joguei lá dentro, pensando em achar um lugar melhor, depois, só que não encontrei até agora.
Como encontrar espaço para a realidade e o idealismo? Como viver só de teatro, por opção, não ter grana da família e ter uma casa própria, um carro que sequer consegui ter até agora? Como ser mãe de novo se me desdobro em diferentes unidades e acho que nem consigo ser mãe de mim mesma?
Só sei que amo tudo isso. Amo meu marido, minha filha, meu pai e minha mãe, meus irmãos e sobrinhos, meus amigos queridos. Amo minhas brigas, meus tormentos, minha fúria, meu medo. Amo todas as partes de minha casa. Algumas pessoas na minha vida só conhecem o portão, outras já entraram na sala de visitas, os mais íntimos já pegam coisas na cozinha, outros mais ainda já me levam ao banheiro para me lavar, para eu vomitar, para minha purificação. Há os que frequentam o escritório e há aquele especial com quem divido a cama. Amo tudo isso e todos esses.
Amo também o quarto fechado, que acredito que só eu conheça. Ninguém entra lá, é o lugar que choro, o lugar que grito, que ás vezes tem há ver com outros, mas a coisa é principalmente comigo. O quarto onde está tudo aquilo onde eu não soube encaixar, as músicas bregas, os ridículos, os brinquedos de infância, as roupas queridas que não se usa mais, até porque nem servem, tudo. Os antigos diários e agendas, a vontade de continuar escrevendo, objetos emprestados que não devolvi e nem sei de quem são mais, e tem muito mais coisa, tem um universo, um abismo dentro do quarto, tem desesperos, fantasias, receios, neuroses.
O quarto sempre estará lá. Intocado para aqueles que me conhecem, sua desorganização é um acúmulo destes 38 anos. Sempre haverá aquilo que não se encaixa e haverão sonhos, e promessas, e desventuras e projetos inacabados. Amo também essa bagunça, pois já me organizo demais nas outras peças da casa. É também meu espaço lúdico de bagunça.
Só preciso entrar mais vezes nele, para deixar arejar e para que entre essa brisa quente de verão, de rascunho de um novo ano.
Assinar:
Postagens (Atom)