domingo, 11 de julho de 2010

Do que eu gosto?

Tentando organizar minhas idéias, utilizo este espaço como a penseira do mago Dumbledore, tiro idéias de que não preciso no momento, mas que poderei me reportar a elas mais adiante.
Hum, sim, o teatro. O teatro que faço, o teatro que gosto, o teatro que penso, eles se dilatam e contraem, é um só, mas ao mesmo tempo ainda não o é exatamente como deveria e se misturam em pontos que de atrito de dogmas, fazeres e técnicas, coisas que nem sei ainda, coisas que talvez nunca virei a saber.Gosto de histórias, sim, meu teatro tem que contar histórias, não preciso de um entendimento de cada parte, mas necessito me identificar e ser levada pelo todo. A identificação não pressupõe uma mímeses de minha identidade ou caráter, mas um significado maior onde identifico o pensamento, o que o outro quer me dizer, e não tem que ser racional, desde que exista uma percepção atingida pelo coice dionisíaco do espetáculo.Me agrada também a simplicidade, não quero grandes efeitos, não compactuo com medidas desesperadas de encenações que pretendem me ver chocada. Sou uma das tantas pessoas que já passaram por poucas e boas na vida e que o homem de rua, dormindo sob a marquise na pedra dura do inverno me provoca mais choque do que um superficial ato de sexo ou violência produzido entre coreografias de buoyancy e radiance.Prefiro sentir o público e ser sentida quando sou espectadora. Não é uma questão de contato físico, mas de um respeito tácito e sutil que envolve a respiração do dia, o tempo de cada um e do todo daquele grupo que compartilha da mesma experiência, cada um no seu papel.Então, menos tiroteios, explosões de carros e excessivos diálogos. Mais Fellini, Almodóvar e Woody Allen.É uma questão de paladar ver violentos bandidos vestidos de palhaços beijando as tetas de uma mulher gorda, explosivas mulheres enterrando cadáveres de seus homens frágeis numa culpa católica e latina e por fim, palavras que calam, confundem e se interpõem sobre os silêncios que jamais ousamos acessar.

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